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9 Perguntas e respostas sobre endometriose e gravidez

8 de dezembro de 2017   publicado por: edeas

De que maneira a endometriose causa infertilidade?

A doença pode causar aderências extensas entre os órgãos, ou seja, deixá-los grudados uns nos outros, o que faz com que ocorra fechamento ou entupimento das tubas uterinas, empedindo o encontro entre o óvulo e o espermatozoide. Além disso, por conta das aderências, a tuba e o ovário podem ficar fixos ou distantes um do outro, o que impede a captação do óvulo produzido pelo ovário. A receptividade do embrião no endométrio – local em que ele se implanta – também sofre alterações graças à ação de substâncias produzidas pela doença.

 

A gravidez é benéfica para quem tem endometriose?

Como muitas pacientes com endometriose tem queixa de infertilidade, a gestação sempre costuma ser bem-vinda. Durante a gravidez existe a produção da progesterona, hormônio que dificulta o crescimento dos focos de endometriose, mas essa produção hormonal não é capaz de eliminar os focos de endometriose. Portanto, ainda que a gravidez seja benéfica para quem tem endometriose, ela não é capaz de curar a doença, apenas deixa os focos sem crescimento.

 

Mulheres com endometriose tem maior risco de sofrer aborto?

Não necessariamente. Alguns estudos relacionam a doença a um maior risco de abortamento, no entanto, vários especialistas discordam, pois há causas mais relevantes que levam ao aborto, como mal formações uterinas. A endometriose aumenta o risco de gravidez ectópica (que ocorre fora do útero). No entanto, caso a mulher tenha um histórico de abortos recorrentes, o especialista pode indicar a retirada dos focos de endometriose por meio de cirurgia.

 

O bebê de quem tem endometriose corre o risco de nascer com problemas? 

Não. Nenhum estudo comprova que exista qualquer relação entre a endometriose e a chance de ter um bebê com problemas. O risco de mal formações e problemas genéticos é igual ao de uma mulher que não tem a doença.

 

Gravidez de quem tem endometriose é considerada de alto risco?

Não. A gestação é semelhante a da não portadora da doença. Como o hormônio da gravidez (progesterona) dificulta o crescimento dos focos da endometriose, a gestação protege a mulher da doença, ainda que não seja capaz de curá-la. No entanto, em casos graves de endometriose extensas que atinjam o intestino ou os ureteres, é possível que a gestante precise passar por uma cirurgia de urgência para desobstruir o intestino ou as vias urinárias.

 

O exame para detectar endometriose aumenta as chances de gravidez natural?

A HSG (histerossalpingografia) é feita em centros radiológicos e avalia se a cavidade e as tubas uterinas estão comprometidas pela endometriose. As mulheres que fazem o exame costumam ter mais chance de engravidar até seis meses depois do procedimento. O médico introduz uma pequena cânula no colo do útero e injeta uma substância radioativa que percorre o interior do útero e das tubas. Quando as tubas estão abertas, o líquido cai dentro da barriga, o que é comprovado na radiografia. Nessa avaliação, ocorre uma espécie de “lavagem” do interior da tuba, que pode desobstruir pequenas aderências. Além disso, a própia substância utilizada traz benefícios para as células das tubas, facilitando o encontro do espermatozoide com o óvulo.

O uso de hormônios aumentam as chances de engravidar?

Não. Nenhum hormônio é capaz de aumentar as chances de engravidar naturalmente nas pacientes com endometriose, porém o uso de análogos do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina) antes da fertilização in vitro aumentam as taxas de gravidez no tratamento.

Mais opções de tratamento para a infertilidade da mulher com endometriose?

Há dois tipos de tratamento: a cirurgia ou as técnicas de reprodução assistida. A cirurgia para retirar os focos de endometriose deve ser realizada preferencialmente  por laparoscopia – procedimento minimamente invasivo – e a taxa de gravidez natural chega a 50% dos casos. Nas técnicas de reprodução assistida, há as opções de inseminação artificial – colocação dos espermatozoides no útero – é uma boa opção. No entanto, caso a paciente tenha uma endometriose profunda, a indicação é a FIV. Nela os embriões já fecundados são inseridos no útero, pois a doença dificulta o processo de captação do óvulo pelas tubas uterinas.

Fertilização in vitro prejudica a endometriose?

Não necessariamente. Para realizar a fertilização in vitro é necessário um grande estímulo dos ovários, levando a um aumento acentuado dos níveis do estrogênio, o que pode fazer com que os focos de endometriose cresçam mais rapidamente. Caso a paciente tenha uma lesão grave no intestino ou nas vias urinárias, podem ocorrer obstruções nesses órgãos, quadro considerado grave.


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